quarta-feira, 25 de abril de 2012

Coringa & Vilão

   Uma coisa que eu venho notando há algum tempo é que as pessoas, de modo geral, obviamente influenciadas por informações mal divulgadas e maipuladas pela mídia, a cada dia apostam sua qualidade de vida e longevidade num único aspecto em particular, que varia de tempos em tempos.

   Parece-me que desta vez o coringa é a dieta. Eu venho assitindo a muitos documentários, lendo alguns estudos e convivendo com pessoas que fizeram essa aposta, e por isso, talvez eu já possa expressar uma opinião com mais segurança.

   Certamente a maior parte das informações que chegam até nós com esse respeito está relacionada aos Estados Unidos da América, um caso bem particular em se tratando de saúde. Os US são simplesmente o país mais obeso da face da terra, e todos sabemos ou temos boa idéa do porquê. A indústria de alimentos, o fast food, as versões jumbo ou família de produtos, a conviniência e o sedentarismo chegou lá pra ficar, invadiando a casa e a vida dos cidadãos de forma tão agressiva que reverter esta situação é algo praticamente impossível ou tarefa muito árdua para o país.

   Frente a problemática, muitos tentam detectar o grande vilão e receitar a solução milagrosa. O vilão da vez são os alimentos de origem animal (ora a proteína, ora a gordura saturada, ou mesmo ambos). E o engraçado é que se fala sobre eles de tal modo que amedronta e apavora os leigos, e os leva a acreditar em algo que, a meu ver, não procede, por ser muito anti natural e que foge ao bom senso. 

   Temo estar sendo repetitiva nos meus posts ao insistir no BOM SENSO e EQUILÍBRIO. Peço desculpas se a minha mensagem se tornou cansativa ou seja lá o que você, leitor, achar. Porém, o motivo da minha insistência é que o bom senso é a solução e eu não entendo porque tantos tentam escapar a ele e radicalizar. Parece que esquecem-se de que os seres vivos e o ambiente são extremamente dinâmicos e cercados de infinitos fatores, controláveis ou não pelo ser humano. Sabendo disso, como é possível que não se compreenda que a fixação e perfeiçao de um único fator, enquanto ignora-se todos os outros, NÃO garante 100 anos de vida a ninguém?!

   Tentando exemplificar um pouco, respondam-me, de que adianta convencer o americano a seguir uma dieta vegetariana, e não conscientizá-lo de que ele precisa excercitar-se, levar uma vida mais ativa, mais prazeroza, menos estressante? De que vale, eles deixarem de tomar leite, se continuarem a trabalhar muito, sendo orientados por dinheiro, família e consumismo? A minha resposta vocês já sabem, então deixo o espaço para a sua reflexão.

   Se o mundo está doente hoje é porque o nosso estilo de vida mudou muito, e estilo de vida é algo complexo, que conta com a colaboração de inúmeros aspectos, portanto não se resume a dieta. Aliás, adotar um estilo de alimentação não natural, é estressante e, estresse, senão a maior, é uma das pricipais causas de morbi-mortalidade da vida moderna.

domingo, 22 de abril de 2012

Por que não sou vegetariana?

   Diversos são os argumentos dados por aqueles que optam pelo vegetarianismo ou até mesmo veganismo. Porém, como sou meio descrente (rs), a maioria não me convence mas, obviamente, eu respeito.

   Dentre todas as justificativas, as que eu realmente aceito sem quaisquer contra argumentos é alguém NÃO GOSTAR (refiro-me a PALADAR) de produtos de origem animal, seja um ou vários; ou alguém NÃO PODER ingerir tais alimentos devido a limitaçoes fisiopatológicas. Como diz o velho ditado "Gosto, cada um tem o seu, e portanto, não se discute". No entanto, paladar é tão "condicionavel", que muitas vezes passamos a gostar de algo que não nos apetecia anteriormente. Já algumas intolerâncias, sensibilidades e alergias podem ser irreversíveis e daí, a saída é a adaptação da alimentação e a exclusão dos alimentos problemáticos.

   Outro motivo que eu não discuto é CULTURA, e aqui eu incluo RELIGIÃO, já que alimentação é um ato socialmente modulado. Por exemplo, eu não comer insetos, não significa que não goste (mesmo porque ainda não tive coragem de experimentar), e sim porque na minha cultura não se come tais animais. Mas vejam, culturamente, nada me impede de consumi-los, basta que eu aprenda a gostar e queira consumir. Já algumas religiões proibem o consumo de certos alimentos; mas eu nao contrario, pois crença é algo muito particular, digna de respeito.

   Na sequência das mais toleráveis razões para se privar de alimentos de origem animal, é o fato de se ter DÓ de comer animais. Esse ponto é um tanto delicado e discutível. Primeiro porque não precisamos matar os animais para obter alimentos deles. Matar seria para obtermos carne, e não leite, ovos e mel, que eles produzem naturalmente. Eu particularmente como carne e outros produtos de origem animal e não me culpo, porque afinal temos de nos alimentar, certo? Porém, não concordo com o sistema de produção e, eu acho que é esse o principal motivo pelo qual muitas pessoas abrem mão de tais alimentos. No entanto, eu tenho que dizer que a verdade é que nós, consumidores, fomos apresentados à chamada globalização e nos (mal)acostumamos a ter tudo a qualquer tempo e lugar, e deixamos de respeitar sazonalidade e regionalidade, ou seja, limitaçoes impostas pela natureza. A meu ver, produçoes em massa, em escalas imensuráveis, destinadas a alimentar o mundo, só podem ser anti naturais. Não vejo como ser diferente. Para reverter isso, bastava nos contentarmos com o que podemos produzir localmente (ou o mais localmente possível - não posso ignorar que certas localidades extremamente áridas, secas, não produzem muita coisa ou mesmo quase nada). Pequenas escalas de produção seriam passíveis de "humanização" (que é o que os vegetarianos defendem, e eu também). Outro coisa seria consumirmos apenas quantidades que precisamos. O maior lixo que produzimos é orgânico, ou seja, a gente joga muita, mas muita comida fora. Portanto, a minha sugestão de melhoria para o problema seria, produção e consumo local, sustentável e orgânico.

   Certamente a lista de justificativas é muito maior do que esta que eu estou apresentando, chegando ao absurdo dizer que nosso organismo não produz enzimas que digerem proteína animal. De qualquer forma, encerro com a que me é menos convincente. Está em alta, na moda, acusar a proteína animal por causar CÂNCER e outras DOENÇAS CRÔNICAS. What?! Muitos estudos vêm sendo feitos há algumas décadas, mas sinceramente, eu não confio muito no design experimental de vários deles. Eu não estou afirmando aqui que proteína animal é o melhor nutriente do mundo (quem sou eu pra dizer uma coisa dessas). Mas eu já li alguns estudos, e o último concluiu que proteína animal é cancerígena depois de alimentar animais de laboratório com toxina já conhecida por ser cancerígena, e complementar a dieta dos bichinhos com proteína animal(!!!). O delineamento experimental desse estudo parece não ter contado com alimentação isenta da toxina cancerígena. Pode uma coisa dessas?! Está certo que muitos estudos são desenhados para atender a indústria farmaceutica, com o que eu descordo completamente, e também duvido de muitos resultados. E, embora eu aprecie muito estudos que escapam das garras do sistema, gostaria de vê-los melhor desenhados, para então serem mais convincentes.

   Em suma, eu acredito que alimentação é uma das maiores responsáveis por uma boa saúde. Acredito também que bom senso pras coisas, inclusive para dieta, também o seja. Fanatismo, radicalismo e estresse ao se alimentar, e em tudo o mais que se faz, nunca foi saudável. O nosso organismo precisa de nutrientes que nos forneçam energia, outros que constituam nosso corpo (tecidos), e outros ainda que mantenham a máquina humana (ou de qualquer outro ser vivo) em funcionamento. A proteína animal é super completa, ou seja, contém todos os aminoácidos dos quais precisamos (pode-se adquirir proteína completa também ao combinar cereais com leguminosas). Além disso, alimentos de origem animal são geralmente fontes de muitas vitaminas e minerais de alta biodisponibilidade. Privar-se disso leva a suplementação de dieta com cápsulas e mais cápsulas de vitaminas e minerais, o que pra mim não faz muito sentido. Por isso tudo, eu ainda fico com o bom senso de uma dieta saudável e balanceada, até que me convençam do contrário.

sábado, 14 de abril de 2012

À moda antiga

   Primeiramente, preciso desculpar-me com os meus leitores pela minha super longa ausência. Mas cá estou eu de volta a ativa!

   Hoje quero tratar de um tema, no mínimo, curioso, principalmente depois de tanta evolução tecnológica e globalização. Se você tem ou já teve o prazer de sentar-se à mesa com seus avós, talvez você visualize o que eu quero dizer com o meu texto. Durante a minha infância e adolescência, as muitas vezes que fiz refeiçoes com as minhas avós, pude notar algumas diferenças entre as escolhas delas e as minhas por alimentos que comporiam os nossos pratos. Na minha cabeça "juvem e moderna", a maneira antiga de comer era um tanto quanto "caipira" (?!) Infelizmente, é o que muitos ainda pensam, e eu não era diferente. Eu via as minhas velhinhas servindo-se de angu e uma banana todo almoço. Graças à minha ignorância, banana com comida (?) e angu todos os dias eram bizarros, coisa de "gente da roça", apesar de gostar de banana e angu. Além disso, elas sempre optavam por preparações mais simples e quase nunca se rendiam a um pacote de qualquer coisa industrializada. Tudo bem, eu entendia e respeitava, mesmo porque elas não estavam acostumadas com toda a modernidade, e nem se adaptariam, como nós fazemos tão facilmente. Afinal, elas viveram numa outra época, quando tudo era muito diferente.

   Desde pequena, tenho muito prazer em cozinhar e sempre me atrevi a preparar alguma coisa em casa. Não me importo em passar horas na cozinha (se eu tiver tempo, então, pode me esquecer). Mas no início das minhas experiências culinárias, eu queria preparar pratos elaborados, gastronômicos, modernosos. Talvez porque essa era a minha idéia de culinária e gastronomia. Tinha que ser diferente do casual e corriqueiro, do dia-a-dia, comida para a qual a gente, equivocadamente, não dá muita atenção. Oh my, quanta inocência!

   No entanto, é interessante notar, depois de estudar, me informar um pouco e observar, que hoje a tendência é alimentar-se como se fazia antigamente. O boom de tecnologia e a vida ultra-busy das pessoas fizeram com que elas abandonassem a arte de preparar suas próprias refeições. E foi então que a indústria aproveitou a brecha e assumiu a função de nos "alimentar". Porém, "enganados", embora não inocentemente, confiamos nossa saúde a toda propaganda e marketing que nos são vendidos, e agarramos a idéia de que a indústria está a cada dia oferecendo-nos produtos de altíssima qualidade. Mas que nada, ao meu ver, as pessoas estão na verdade é cada vez mais escravas do sistema e mais doentes. Felizmente, muitas já perceberam isso e estão mudando seus hábitos lenta, porém progressivamente. Observem a baixo um simples exemplo e vejam se não é ao menos questionável o que estamos colocando para dentro do nosso corpo.

   Um pão básico, tipo ciabatta e muitos outros, se você fizer em casa, requer única e exclusivamente água, fermento, farinha e sal, e lógico, um certo workout para sovar a masssa (exceto ciabatta) e paciência para esperá-la crescer (muita, no caso da ciabatta). Por outro lado, o mesmo pão básico tipo ciabatta que obtemos do mercado tem como ingredientes: farinha, água, óleo vegetal, sal, açúcar, dextrose, monoglicerídeos, fermento, goma guar, propionato, amilase, e um warning: "pode conter semente de gergelim, leite e soja". Que tal?! Notem que a versão caseira tem 4 ingredientes, enquanto a industrializada tem de 11 a 14!!! Essa gritante diferença não se justifica com melhores valores nutricionais e sim com mais prolongada vida de prateleira. Mas de que adianta um pão meio "fake", pouco saboroso, cheio de aditivos, que dura por vezes 2 semanas? Engraçado que o caseiro pode durar isso tudo também, e até mais, se congelarmos pequenas porçoes. Em 5 minutos podemos ter um pão fresquinho à mesa. Mas... infelizmente fomos condicionados a focar toda nossa energia na produção de outros tipos de bens e serviços, como já discuti num outro post, e a "curtir a vida" consumindo tudo o que o sistema nos oferece, até mesmo alimentação e saúde. Mas por que não cuidarmos nós mesmos da nossa saúde?

Ciabatta caseira
Ciabatta industralizada

   Eu não culpo a mais ninguém que não ao sistema, o CAPITALISMO. Na minha opinião, ele é o único responsável por toda a caótica vida que levamos, em todos os aspectos, pois ele dita o que temos de consumir e a gente aceita, acredita, obedece. No entanto, se pararmos para analisar, o sistema é uma máfia, que ao final nos leva a buscar por serviços médicos, que também é parte da máfia, quando não deveria. A alimentação é a maior responsável por uma boa saúde. Portanto, eu deixo aqui meu incentivo. Preparem os seus próprios alimentos em casa, desde o começo, com ingredientes de boa qualidade. Não é tão difícil assim. Organize-se e verá que sempre terá um tempinho para cuidar de sua alimentação. Vale a pena o investimento, pois economizará e muito em assistência médica e medicamentos.

MENOS INGREDIENTES, MAIS NUTRIENTES, MAIS SAÚDE

   Eu já estou nessa jornada faz um tempinho. Adoraria encontrar mais gente pelo caminho.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Trocando o almoço pelo jantar

É interessante observar a importância que diferentes povos dão às refeições do dia. Almoço e jantar costumam ser as principais refeições. Para nós Brasileiros, o almoço é mais importante. Já os norte-americanos (Canadenses e Americanos) consideram o jantar mais importante. E eu agora tenho consiguido entender algumas das razões dessa diferença e até mesmo estou começando a me adaptar à rotina de alimentação deles.

Quando digo refeição principal entendam como sendo o momento em que comemos melhor e, as vezes, maior volume de alimentos.

Por aqui, noto que a maioria das pessoas não têm condições de voltar para a casa na hora do almoço devido a distância do trabalho/escola até a casa ou devido a impraticidade e falta de tempo disponível. O horário de almoço costuma ser muito curto (uma hora, no máximo, para aqueles que não são horistas; quem trabalha por hora geralmente não se dá ao luxo de tirar uma hora de almoço, pois essa hora não trabalhada não será recebida). Além disso, acredito que aqui se considera que comer muito no meio do expediente leva ao cansaço, preguiça, sono, reduzindo a atenção, concentração, produtividade e aumentando as chances de erros e acidentes. E isso já foi até comprovado. O que contuma-se fazer então é comer algo mais light (leve) no meio do dia como saladas, sopas, mesmo hamburgers, sanduíches, pizzas. Muitos ainda levam seu "almoço" pro trabalho/escola ao invés de comprar, o que garante a qualidade do que se vai comer e economiza dinheiro. Já para a refeição da noite, cozinha-se em casa um bom jantar, geralmente carnes e vegetais, pois para isso as pessoas têm mais tempo, mais disposição e podem relaxar e degustar uma boa refeição tranquilamente.

No Brasil, também, cada vez mais as pessoas têm menos chances de almoçar em casa. E já podemos perceber alguns esforços por parte de grandes empresas para que seus colaboradores comam menos e mais light no horário do almoço. Mas a maior parte da população ainda não aderiu a idéia e procura por restaurantes para realizar a sua refeição e eu entendo que a força do hábito e a tradição são mais fortes do que qualquer outra coisa. Ainda assim, acredito que seja algo a se analisar e considerar. Com relação ao jantar, a gente se preocuparia com a priorização da refeição noturna. Temos a idéia de que jantar (comer "comida", como costumamos dizer) não é saudável para a noite, pois é "pesado", engorda, etc. No entanto, se repararmos, muitas vezes ingerimos muito mais calorias nos nossos lanches, que geralmente acontecem no fim da tarde - início da noite, ao comermos pães, queijos, presuntos e/ou outros embitidos, bolos, bebidas, frutas, etc.

O jantar aqui no Canadá, por exemplo, acontece entre 5-7pm (mesmo horário do lanche no Brasil). Entretanto, para eles não há problemas em jantar, pois ainda é um bom horário para se comer uma refeição mais reforçada que aqui costuma ser muito saudável. 

Com isso, eu particularmente não vejo o menor problema em inverter a ordem das nossas refeições. Isso pode contribuir para que as pessoas se dediquem um pouco mais às atividades culinárias, como comprar e preparar, além de colaborar para que valorizem refeições saudáveis, saborosas e seguras e ainda dá a chance para que os membros da casa se reúnam, divirtam-se preparando a refeição, se comuniquem e valorizem mais a alimentação no sentido amplo e complexo da palavra, como se fazia a alguns anos atrás.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sistema “DES…”

   Viajando agora pelo Túnel do Tempo, mas só por alguns poucos anos atrás, vamos tentar entender os motivos pelos quais a nossa alimentação hoje é um tanto quanto caótica. 
   Pelo tal Sistema DES, podemos tirar algumas explicações e conclusões. DES de DES-estruturação, DES-socialização, DES-institucionalização, DES-implantação horária, DES-ritualização.
   WOW!!! Consegue parar e refletir um pouco sobre todos esses fenômenos incidindo sobre a alimentação?!
   Influenciadas pelos avanços tecnológicos na indústria de alimentos e na agricultura e pela globalização da economia e pressionadas pelo poder aquisitivo, pela publicidade e praticidade, as práticas alimentares tornaram-se permeáveis a mudanças, representadas pela incorporação de novos alimentos, formas de preparo, compra e consumo.
   A alimentação contemporânea urbana, também chamada de dieta afluente, é modulada pela escassez de tempo para o preparo e consumo de alimentos; pela presença de produtos gerados a partir de novas tecnologias, que os tornam convenientes, pois são geralmente pré-prontos ou prontos para o consumo, reduzindo tempo e trabalho; pela infinidade de ítens alimentares; pelos deslocamentos das refeições antes feitas em casa para estabelecimentos comerciais ou de trabalho – restaurantes, lanchonetes, vendedores ambulantes, padarias, refeitórios, entre outros; pela crescente oferta de preparações e utensílios transportáveis (porções individuais e utensílios descartáveis); pela oferta de produtos provenientes de várias partes do mundo; pelo arsenal publicitário associado aos alimentos; pela flexibilização de horários para se alimentar; pela crescente individualização dos rituais alimentares, etc.
   A dieta afluente é, portanto, caracterizada por um excesso de alimentos de alta densidade energética, ricos em gordura e em carboidratos simples, e por uma diminuição no consumo de carboidratos complexos (fonte importante de fibras alimentares).
   Curiosamente, o que era pensado a alguns anos atrás ser um problema de países desenvolvidos, hoje também é retrato de países em desenvolvimento. Ou seja, o padrão alimentar sofreu uma standardização e isso tem sido fator de grande preocupação para setores de saúde pública, uma vez que os índices de morbi-mortalidade relacionados a alimentação aumentaram, exigindo que medidas de incentivo a adaptações a esse novo estilo de alimentação sejam providenciadasa para enfim torna-lo mais saudável.
   Ao pensarmos que a apenas uma geração, o hábito de se alimentar era completamente diferente do qual praticamos hoje… As pessoas tinham acesso restrito, por vezes nulo, a produtos importados; tinham mais tempo para se dedicar a compras e preparo de suas refeições; valorizavam as refeições em casa e em família e, por tudo isso, eram bem menos acometidas por doenças crônicas relacionadas ao estilo de vida e alimentação.
    Mesmo assim, em meio a toda nossa rotina turbulenta, eu ainda acredito que um mínimo esforço, individual mesmo, voltado aos cuidados com a saúde pode salvar muita gente, principalmente jovens e crianças, de problemas de saúde futuros. Ao meu ver, não sei se posso generalizar, a regra agora deveria ser DESacelerar o rítmo para que possamos DESfrutar e gozar os prazeres da vida antes que nos DESpeçamos dela mais cedo do que gostaríamos. 
   E vocês, o que acham?! Deixem seus comentários.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Hamburger

   
   Já que demos início ao esclarecimento de pontos sobre os quais a maioria das pessoas tem muitas dúvidas, aqui vai mais um post com a intenção de aliviar a culpa dos comedores. Hoje o tema é HAMBURGER!!!
   É muito comum ver pessoas evitando os hamburgers para não comprometer a boa relação com a balança. Mas, eu sempre me pergunto, POR QUÊ?! Não haveria uma opção de hamburger, uma alternativa menos ameaçadora, para que essas pessoas pudessem se deliciar sem culpa?!
   É interessante poder perceber a atitude de culturas diferentes perante o mesmo alimento. Enquanto no Brasil, hamburger é tido como aquele nosso velho conhecido sanduíche de fast food, carregado de um monte de ingredientes que o brasileiro cisma em colocar em tudo quanto é prato que prepara, como milho verde, batata palha, etc e tal, aqui no norte, a coisa é mais séria. Não que não exista o sanduíche de fast food. Têm, e muito, claro, e muito antes da gente. Mas mesmo os de fast food são mais caprichados do que no Brasil, tamanha a importância que se dá ao prato. Aqui, eles consideram hamburger também como prato principal, como refeição, como carne mesmo e, nessa hora, o sanduíche sai de cena (não necessariamente). 
   O que eu quero dizer é que na América do Norte se valoriza mais a carne em si, e é carne pura, um bife de carne moida enorme, grosso, quase um steak (Hamburg style steak, porque vem da cidade alemã de Hamburgo). Faz-se churrasco de hamburger e tudo o mais. Obviamente, que nos fast food da vida, as carnes de hamburger não são puras como as que preparamos em casa (apesar de que podemos encontrar umas lanchonetes tradicionais que preparam seu próprio bife de hamburger, daí sim, a carne é bem melhor), mas ainda nos fast food é possível perceber uma preocupacao maior, uma consideracao maior pelo prato, pela carne. Os demais ingredientes nem são muito importates. Na verdade, são importantes para compor o sanduíche, sim, mas as combinações e quantidades sempre visam valorizar a carne, o que não acontece no Brasil. Ou seja, Americanos e Canadenses valorizam a carne e Brasilieros, o sanduíche. Infelizmente, a gente parece que tomou como referência de hamburguer o McDonald's, que chegou adaptado ao paladar brasileiro (aqui McDonald's é diferente). Enquanto Mc no Brasil é coisa pra "rico" porque é caro mesmo sendo uma porcaria de sanduíche (eu particularmente nao gosto de Mc, do Brasil então, piorou. Sinceramente, parece que é plastificado), aqui é opção para quem quer e/ou precisa gastar pouco e, mesmo gastando pouco, tem-se a oportunidade de comer um hamburger mais decente, carnudo, digamos assim, e mais gostoso, tradicional. Não digo melhor em termos de qualidade nutricional e nem estou tentando convercer ninguém de que comer hamburguer de fast food é saudavel. Eu não acho que seja, sei que não é e nunca me iludi de que um dia será. Fast food já tomou uma proporção e força enormes vendendo um monte de comida por preço baixo que é impossível querer que façam o caminho inverso, que seria o Slow Food. A gente faz, ou tenta, mas as redes de fast food nunca irão contra a sua própria filosofia de trabalho. Eu mesma evito, mesmo que de vez em quando eu me permita umas extripulias. Enfim, a intenção com este post é tentar mostrar que hamburgers podem ser uma alternativa muito saudável, principalmente, se preparado em casa. Parem e pensem junto comigo e, vejam se chegam à mesma conclusão.
   Numa refeição tradicional brasileira, o que se come basicamente é: Arroz, Feijão, Carne e Salada. Se, num belo dia, você estiver a fim de uma coisa diferente, e que possa oferecer praticamente os mesmos nutrientes, porque não um hamburguer?! Um hamburguer tradicional seria composto de: Pão, preferencialmente integral (que substitue o arroz, que deveria ser integral também), Carne (se preparada em casa, você terá carne pura e de boa qualidade, magra e não aquele embutido processado que comemos nas lanchonetes ou compramos em caixinhas no supermercado), Alface, Tomate, Cebola e Picles (que seria a salada). Eu fiz o paralelo da refeição brasileira com o sanduíche tradicional. Certamente, existem infinitas opções de hamburgers (se fizer uma busca na internet, WOW...) e, elas podem ser tão saudáveis e deliciosas quanto uma refeição, basta ter bom senso ao preparar e combinar os ingredientes e começar a enxergar o sanduba com outros olhos. Ele não precisa ser gorduroso (a maior preocupação das pessoas). Pode ser tão light quanto o seu prato de Salada, Arroz, Feijao e Bife. Basta voce acreditar que pode ser assim.
   E aí, vai encarar um X-Salada hoje? Deixe suas dicas e compartilhe seus experimentos caseiros conosco.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Os Carboidratos

Por Cláudia Diniz



  Durante muito tempo alimentar-se foi um ato quase que automático, realizado pelas pessoas apenas para satisfazer a fome, sem que estas pensassem a respeito da qualidade nutricional do alimento que estava ingerindo. Isso começou a mudar de uns tempos pra cá, com o advento da ciência da Nutrição, onde os mais diversos tipos de nutrientes começaram a ser divulgados para a população, causando, no entanto, um misto de dúvidas decorrentes das interpretações erradas que muitas pessoas fazem e passam adiante.  Todos os nutrientes são de suma importância ao organismo, visto que cada um possui funções específicas, as quais não serão realizadas substituindo-se um nutriente por outro. Neste post vou falar um pouco dos carboidratos, nutriente que vem tendo interpretações bastante controversas em meio aos modismos das dietas.

   É muito comum escutarmos as pessoas relatarem que em suas dietas “cortaram o carboidrato”, pois, segundo elas este nutriente que vem de massas e pães engorda e não deve ser consumido. Na verdade estas pessoas estão “redondamente” enganadas! O carboidrato é um nutriente extremamente importante, que atua fornecendo energia ao organismo para a realização de todas as nossas atividades diárias. Ele está presente não só em pães e massas, como imaginam muitas pessoas, mas também na batata, mandioca, no mel, em doces, no açúcar, arroz e em muitos outros alimentos, até mesmo nas frutas, o que varia é a quantidade e o tipo. Depois da digestão, o destino de todo o carboidrato desses alimentos é virar glicose (a famosa glicose, que aparece no exame de sangue, e que em altos níveis caracteriza o diabetes). O que devemos fazer é saber escolher a fonte de carboidrato para compor o nosso cardápio, pois a quantidade e a forma como ele está presente nos alimentos é que determina se nos trará benefícios ou malefícios.

   Realmente o carboidrato em excesso é transformado em gordura no nosso corpo (conhecida como triglicerídeos). Quando uma pessoa ingere alimentos ricos em carboidratos além das necessidades do seu organismo, excede a capacidade de utilizá-lo como energia, armazenando-o como gordura. Se essa pessoa torna esta ingestão excessiva um hábito o resultado é o acúmulo e peso, entre outros problemas.

   Quando ocorre o contrário, ou seja, um indivíduo que restringe carboidratos para emagrecer, o organismo também é prejudicado. Na falta de glicose para fornecer energia, é comum que este indivíduo sinta tontura, dor de cabeça, chegando até mesmo a desmaiar. Outros nutrientes (gorduras e proteínas) até podem fornecer energia, porém, não de maneira tão eficaz como os carboidratos. O resultado da restrição de carboidratos em curto a médio prazo é um falso emagrecimento, pois o corpo começa a se utilizar da massa muscular para a repor a necessidade de energia, e como conseqüência, aparece a temida flacidez.

   Agora que vocês já sabem da importância dos carboidratos, está na hora de saber quais os alimentos fontes desse nutriente mais apropriados para uma alimentação saudável. Apesar de balas, doces e açúcar serem compostos quase que unicamente por carboidratos, eles devem ser evitados, pois nesses alimentos o carboidrato se encontra em uma forma (conhecida como carboidratos simples) que cai rapidamente na corrente sanguínea, predispondo a problemas de saúde. Os chamados carboidratos complexos (presentes em pães, arroz, batata, aveia) são mais recomendados, pois caem na corrente sanguínea de forma mais lenta, sem causar perturbações no organismo, quando consumidos sem exageros. Mas atenção: é muito importante lembrar que os carboidratos vindos de alimentos integrais fornecem muitos outros benefícios, que vão além da energia. Nos alimentos integrais são encontrados outros nutrientes que também pertencem ao grupo dos carboidratos, as fibras.

   As fibras são divididas em dois grupos: solúveis e insolúveis. As fibras solúveis (presentes em polpa de frutas, aveia, feijão) atuam ajudando a diminuir os níveis de gorduras no sangue (colesterol, triglicerídeos), apresentando também bons resultados no tratamento de diabetes, enquanto que as fibras insolúveis (encontradas em pães, arroz, cereais, todos estes integrais, farelo de trigo, vegetais folhosos) melhoram o funcionamento intestinal, combatendo a prisão de ventre. Lembrando que a ingestão de fibras deve ser acompanhada da ingestão de bastante líquidos, principalmente água, para que suas funções possam ser bem realizadas.

   E então, depois de todas essas informações será que realmente é preciso retirar o carboidrato da dieta para emagrecimento? Parece que não é o melhor caminho, né? O importante é saber colocar na balança os benefícios e prejuízos do consumo de cada tipo carboidrato e optar pelo mais saudável. Até porque se não for feita a melhor opção os prejuízos vão pesar na balança!